Homenagem

Aos combatentes açorianos e continentais que souberam, apesar das circunstâncias, defender a responsabilidade social básica de todos os cidadãos e preservar a sobrevivência da sua sociedade e os valores que a caracterizam.

Saibamos ser dignos do que fizemos para dizermos - MISSÃO CUMPRIDA

segunda-feira, 2 de setembro de 2024

OS ANOS PASSAM

 Segundo pesquisa recente ainda somos cerca de 200 mil, uns falam em cerca de 300 mil, outros, os mais optimistas em 400 mil. Até à data foram emitidos mais de 350 mil cartões de combatente, neste número temos de incluir as viúvas e outros combatentes com direito ao cartão, como os militares que serviram em vários teatros no estrangeiro. Ao certo não se sabe o número efectivo de combatentes nas ex. colónias (India, Angola, Moçambique, Guiné, Cabo-Verde e Timor) ainda vivos.

Verificando os (poucos) sites que referem encontros/convívios de veteranos da guerra colonial, verifica-se que os mesmos têm vindo a decrescer ano após ano, mesmo pelo Facebook, plataforma que poderá servir de indicador, nos vários sítios de índole colectiva os “movimentos” de postagens são cada vez em menor número, o que poderá indicar várias situações, a saber:

1 – Ou a malta já pouco tem a dizer

2 - A malta está a ficar sem paciência para estas coisas do facebook

3 - Ou muitos que postavam já morreram

 Chagados aqui, temos de interiorizar que tudo tem um fim, até a nossa vida.

A idade dos veteranos da guerra colonial situa-se entre os que nasceram em 1940/41 (83/84 anos) e os nascidos em 1951/1954 (70/73 anos). É bom recordar que a guerra colonial terminou efectivamente/oficialmente em 11 de Novembro de 1975 aquando da independência de Angola e não em 1974 como muitos apregoam. Neste período (Abril/74 a Novembro/75) morreram 504 militares (Angola – 235, Guiné – 66, Moçambique – 203), logo, o total de mortos foi de 9.274 e não os 8.274 “oficiais”, a estes à a acrescentar o número de desaparecidos – 1.428, o que em termos totais dará 10.702. Calcula-se que tenham morrido e desaparecido nas quatro frentes de guerra (India, Angola, Moçambique e Guiné) mais de 100 mil pessoas entre militares, guerrilheiros e civis. É obra.

 Resumindo.

A malta está na última etapa na vida, caminhamos inevitavelmente para o fim e se alguns de nós ainda mantem alguma actividade física e/ou intelectual, outros há que infelizmente já não as possuem. Mas, camaradas e amigos, a esperança é a última a morrer, vamos ser positivos, na esperança que ainda vamos continuar a ver-nos por muito tempo, mesmo que virtualmente.

 Grande abraço a todos os veteranos.

João Gouveia

Furriel Miliciano de Infantaria